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A Princesa Doente (Literatura Infanto-Juvenil)

Page history last edited by begsampaio 7 years, 6 months ago

A Princesa Doente

 

 

Era uma vez um pobre rapaz que vivia - com uma madrasta cruel, malvada e

horrenda como uma feiticeira. No lugar, todos tinham compaixão daquele

pobre menino que emagrecia a olhos vistos devido aos inauditos

sofrimentos a que estava exposto. Uma noite, cansado de suportar aqueles

maus tratos, resolveu fugir, para dirigir-se à Varsóvia, onde esperava

encontrar trabalho para ganhar a vida. Para sair da casa tinha de

atravessar o quarto da bruxa e, quando teve a certeza de ,que ela estava

bem adormecida, vestiu-se às pressas, abriu devagar a porta que

comunicava com o quarto da malvada madrasta e, com o coração palpitante

de emoção, dispôs-se a abandonar aquela casa onde não conhecera senão a

dor e os sofrimentos. A velha não percebeu coisa alguma e o rapaz pôde

chegar são e salvo a Varsóvia. Atravessando a praça onde se erguia o

palácio dos soberanos, notou um grande ajuntamento de pessoas que

falavam em

voz baixa entre si. Muitas mulheres choravam. - Aconteceu alguma

desgraça? - perguntou o menino, voltando-se para um velhinho que

enxugava os olhos e parecia muito magoado. - A filha do rei está para

morrer. Se alguma boa fada não quebrar o encanto, o país vai perder a

sua amada princesinha. — Está doente?- perguntou o rapaz, cheia de

curiosidade. - Sim - respondeu-lhe o velhinho - está de cama e

enfraquece cada vez mais. Os sábios declararam nada poderem fazer,

porque se acham em face de um malefício provocado por alguma malvada

feiticeira. - E de que doença se trata? - A infeliz princesinha morre

porque nas suas veias não corre mais a quantidade de sangue necessária

para manter a vida. E o velho desatou em soluços. O menino afastou-se

alguns passos e, justamente naquele momento, percebeu que era seguido

por um cachorro barbudo, que o olhava com insistência, como se quisesse

dizer-lhe alguma coisa. O menino parou para acariciá-lo, e então o

animal aproximou o focinho do seu ouvido, murmurando : - Não te espantes

de me ouvir falar, caro menino. Quero sugerir-te a maneira de salvar a

princesinha. Mas será preciso não perderes tempo, do contrário ela

morrerá. - Que devo fazer? perguntou o menino. - Escuta-me: a bruxa que

fez a filha do rei ficar doente é a tua malvada madrasta. Ela tirou à

pobre princesinha uma garrafa de sangue, que tem

escondida no seu quarto. Restituindo aquele sangue à doente, ela ficará

boa. E o cachorro afastou-se, abanando a cauda. O rapaz começou a

refletir e, de repente, veio-lhe à mente que a madrasta conservava uma

garrafinha cheia de um líquido vermelho em um armário atulhado de

recipientes estranhos e de pacotes de ervas. Sem pensar duas vezes,

dirigiu-se de corrida para o lugar de onde acabava apenas de fugir e,

chegando defronte da casa da madrasta, entrou pé ante pé, resolvido a

apoderar-se da preciosa garrafinha. A feiticeira dormia ainda e

ressonava como um fole de ferreiro. Caminhando nas pontas dos pés, o

menino aproximou-se do armário e abriu-o, procurando ansiosamente entre

os objetos que ali estavam guardados. De repente descobriu a garrafinha

cheia de um líquido vermelho, e apoderou-se dela. Mas exatamente naquele

instante a velha despertou sobressaltada, soltando um grito de terror.

Assaltado por um medo louco, o menino tratou de fugir, apertando de

encontro ao peito a garrafinha. A feiticeira quis segui-lo, uivando e

gesticulando como uma louca, porém mal transpôs o limiar da porta, caiu

por terra pesadamente, contorcendo-se em furiosas convulsões. - Estou

perdida! - gemia -. Se a princesa recuperar o seu sangue e viver, eu

morrerei. Antes que despontasse o dia, o menino chegara de novo diante

do palácio real. Os guardas não o queriam deixar passar, mas quando o

ouviram dizer

que trazia a salvação da filha do rei, acompanharam-no sem mais à câmara

onde a pobre princesinha estava para entregar a alma a Deus. O rapaz

aproximou-se do leito e, incapaz de pronunciar uma palavra por causa da

emoção que o sufocava, apresentou a garrafa à moribunda, que a tomou

entre as mãos, arregalando os olhos de surpresa, e sentando-se na cama,

como se a vida tivesse voltado subitamente ao seu organismo. Depois,

levou a garrafinha aos lábios e bebeu o seu conteúdo, exclamando - Estou

salva! . . . A fada boa me tinha dito que eu só poderia sarar bebendo o

sangue que me fora roubado por uma feiticeira malvada! De fato, alguns

minutos depois, levantou-se da cama, completamente restabelecida, entre

a alegria dos soberanos e o contentamento de todos. Alguns anos depois,

tornou-se esposa do seu salvador, com o qual viveu contente e feliz.

FIM

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